
Sinais de alívio nas tensões entre Israel e Irã, após ataques entre os países empurram para cima as bolsas de Nova York. Apesar disso, o Ibovespa tem dificuldades em definir um direção na manhã desta segunda-feira, 8, mesmo após amargar perda de 2,74% na semana passada.
Do lado positivo – além do mercado acionário norte-americano -, estão as ações da Petrobras (PETR3;PETR4), que avançam em meio à valorização de 1% do petróleo Brent. Na direção contrária, Vale (VALE3) recua 1%, na esteira do declínio de 0,78% do minério, em Dalian, e de 1,36% em Cingapura.
Paralelamente, o aumento nas expectativas para a inflação e para a taxa Selic no boletim Focus de hoje reforçam parcimônia, a poucos dias da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), no próximo dia 17. A agenda de indicadores dos próximos dias no Brasil é limitada, ficando as atenções nos índices de preços dos EUA, principalmente.
O CPI e PPI serão o foco nesta semana nos Estados Unidos, após, na sexta-feira, o payroll indicar que o mercado de trabalho do país segue robusto, com o dado acima do esperado, o que ampliou expectativas por alta nos juros do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) neste ano.
“Mas o mercado ainda é muito dividido se o Banco Central norte-americano deveria ou não aumentar os juros ainda este ano. Mais precisamente fica praticamente zerado, reduzido a possibilidade de ter um corte de juros nos Estados Unidos em 2026”, diz Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital.
Após subir quase 5% durante a madrugada, o petróleo diminuiu o ritmo de valorização, assim como os rendimentos dos Treasuries. O movimento ocorreu após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que Irã e Israel buscam cessar-fogo imediato e que as negociações finais por “paz” estão em andamento. Também alivia os ativos a decisão do Irã de suspender as operações militares contra Israel.
Um pouco antes, também hoje, os dois países do Oriente Médio voltaram a trocar fogo, o que ameaça arrastar novamente o Oriente Médio para um conflito de larga escala, elevando preocupações com a inflação e os juros mundiais.
A despeito do sinal de algum acordo geopolítico próximo, o quadro de cautela permanece, o que se soma à leitura desfavorável das projeções no Focus. A mediana das estimativas para Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 passou de 5,08% para 5,11%, acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. A estimativa para janeiro de 2027 foi de 4,02% para 4,03%. Para 2028, saiu de 3,66% para 3,65%, e para 2029 segue em 3,50%. Os dados impõem cautela a poucos dias da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).
Em relação à taxa Selic, que está em 14,50% ao ano, a mediana para o fim de 2026 subiu de 13,25% para 13,50%. Para 2027, passou de 11,25% para 11,50%. Para 2028 e 2029 seguem em 10%.
Essas mudanças vêm após, na sexta-feira, cresceram as avaliações de que o Copom poderá pausar o ciclo de calibração da Selic após a queda deste mês – “hipótese bastante plausível diante da deterioração do quadro inflacionário”, diz em nota Silvio Campos Neto, economista sênior e sócio da Tendências Consultoria.
Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em baixa de 0,77%, aos 169.019,12 pontos.
Às 11h06 desta segunda-feira, o Índice Bovespa caía 0,41%, na mínima aos 168.334,78 pontos, após abertura próximo da estabilidade, aos 169.041,72 pontos (+0,01%), renovou máxima em 169.645,78 pontos (+0,37%).
Petrobras avançava entre 0,39% (PN) e 0,72% (ON), com o petróleo Brent apresentando alta de 1,41%. Vale cedia 1,64%, com recuo de 0,78% do minério de ferro, em Dalian, e de 1,36% em Cingapura.
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